Metodologia

O projeto não determina a origem do patrimônio, não realiza investigação financeira e não classifica qualquer variação como lícita ou ilícita. Seu objetivo é exclusivamente facilitar a visualização e comparação de informações declaradas publicamente à Justiça Eleitoral.

1. De onde vêm os dados

Todos os dados vêm do Portal de Dados Abertos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a fonte oficial da Justiça Eleitoral. São usados dois conjuntos por eleição:

URLs exatas dos arquivos utilizados, a data de modificação informada pelo TSE e a data do nosso download ficam registradas no manifesto público meta.json e no rodapé de cada página de candidato. Nenhum site de terceiros é usado como fonte.

2. Como os dados são baixados

Uma rotina automática (GitHub Actions) baixa os arquivos ZIP oficiais uma vez por dia, diretamente do CDN do TSE. Como os dados de 2026 ainda podem sofrer atualizações (novos registros, substituições, indeferimentos), o site sempre informa quando os dados foram processados pela última vez. Todo o código do robô é público no repositório do projeto.

3. Como os bens são somados

Para cada candidatura, somamos o valor de todos os bens da declaração (VR_BEM_CANDIDATO). O resultado é o total declarado daquela eleição. Os valores são lidos no formato monetário brasileiro e tratados em centavos para evitar erros de arredondamento. Não fazemos nenhuma inferência de valor de mercado: o valor apresentado é sempre o valor declarado à Justiça Eleitoral, nominal, da época da declaração.

4. Como relacionamos a mesma pessoa entre eleições

Nomes não bastam — homônimos são comuns. Usamos três níveis, e nunca inventamos correspondência:

Somente correspondências “exact” entram nos rankings comparativos. Casos ambíguos (por exemplo, o mesmo identificador aparecendo em duas candidaturas na mesma eleição) são rebaixados para unverified.

5. Como as variações são calculadas

Quando o patrimônio anterior é R$ 0, a variação percentual e o multiplicador são matematicamente indefinidos; o site exibe “Não aplicável — patrimônio anterior declarado como R$ 0”, nunca “infinito %”.

6. Indicador estatístico de variação atípica

Algumas listagens exibem o selo “variação atípica no conjunto”. Ele é um indicador puramente descritivo, calculado pelo método de Tukey: marcamos as variações percentuais acima de Q3 + 3×IQR (terceiro quartil mais três vezes o intervalo interquartil) do conjunto de candidaturas com correspondência exata e patrimônio anterior maior que zero. O limiar vigente e o tamanho da amostra são publicados em meta.json. O selo significa apenas “muito acima do padrão do conjunto analisado” — não é um índice de suspeita e não implica qualquer juízo sobre a origem do patrimônio.

7. Inflação

Todos os valores exibidos hoje são nominais. Uma comparação corrigida pela inflação (IPCA/IBGE) está prevista na arquitetura como funcionalidade separada — quando implementada, a variação nominal e a variação real estimada serão sempre apresentadas em campos claramente distintos, nunca misturadas. Status: planejado (TODO documentado no repositório).

8. Privacidade e minimização de dados

Os arquivos do TSE contêm campos pessoais (CPF, e-mail, título de eleitor). Nossa política:

9. Limitações conhecidas

10. O que o projeto não pretende concluir

O Enriquecímetro não afirma nem insinua que qualquer variação patrimonial constitui enriquecimento ilícito, corrupção ou irregularidade. A metodologia é idêntica para todos os candidatos, partidos, estados e cargos — o código que gera os rankings não contém qualquer lista partidária ou exceção política, o que pode ser verificado no repositório aberto.